Transcrição Ex Libris – S01e05

[Cultura] – Obras de três continentes narram o tráfico de escravos africanos

130 anos e ainda temos muito o que corrigir em nossa história cercana. Não somos, em nossa maioria, natos deste pedaço de terra americana, somos em parte invasores, brancos, escravos, negros, mulatos.

Olá, eu sou Sérgio Vieira e este é o 5º episódio da primeira temporada do Ex-Libris, um podcast rápido e ligeiro sobre Política, Comportamento Humano, Ciência, Tecnologia e Cultura. A cada episódio um tema. Seja bem vindo e espero que esteja gostando do Ex-Libris. Aguardo comentários e sugestões, afinal eu preciso saber se estou no caminho certo. Para tanto, basta dar um pulo lá no idigitais.com. 

Você pode colocar as observações no post deste episódio, na transcrição ou ainda enviar um email. O Ex-Libris está disponível em vários agregadores e serviços: Anchor.fm; Apple Podcasts; Breaker; Castbox; Google Podcasts; OverCast; Pocket Casts; RadioPublic; Spotify; e Stitcher. Se você utiliza outro serviço, basta copiar o rss disponível e colar em seu aplicativo. Todo os links estão publicados na 1ª página do idigitais.com

Começa agora o Ex-Libris sobre Cultura de 02 de out de 2018

Cerca de cinco séculos após o início da chegada de povos escravizados da África às Américas, as rotas, as influências culturais, a miscigenação e as histórias da escravidão negra são temas de uma das maiores exposições de arte realizadas nos últimos anos pelo Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o Masp.

Em parceria com o Instituto Tomie Ohtake, foi inaugurada nos fins de junho a exposição Histórias Afro-Atlânticas que tem encerramento previsto para 21 de outubro de 2018. Corre que dá tempo!

“Nos navios negreiros vieram não só pessoas escravizadas, mas símbolos, culturas, religiões e filosofias”, explica uma das curadoras da exposição, a historiadora Lilia Moritz Schwarcz, que montou esta  mostra com mais quatro nomes, Adriano Pedrosa, Ayrson Heráclito, Hélio Menezes e Tomás Toledo. “Esse circuito, como definiu Pierre Verger – etnólogo, fotógrafo e babalaô franco-baiano – criou não apenas fluxos, mas também refluxos.” 

A ideia de trazer as narrativas afro-atlânticas veio a partir da exposição Histórias Mestiças feita por Lilia Schwarcz e Adriano Pedrosa no Tomie Ohtake em 2014; exposição esta que originou dois projetos: As Histórias da Escravidão e as Histórias Indígenas. 

A ampliação da discussão para narrativas afro-atlânticas veio após a realização de um seminário sobre o tema em 2016. As Histórias Indígenas já é uma exposição programada para 2021.

No museu, o ano de 2018 está sendo dedicado integralmente às narrativas afro-atlânticas, desde as exposições individuais, como de Maria Auxiliadora, encerrada em junho, e a de Rubem Valentim, até palestras, eventos culturais e sessões de cinema. 

O estudo da curadoria para esta mostra resultou numa antologia, lançada com o catálogo da exposição, que reúne artigos e textos nacionais e internacionais sobre a questão, alguns inéditos em português. 

Para contar as histórias que envolvem três continentes, o MASP e o Tomie Ohtake contaram com importantes empréstimos de grandes coleções particulares e instituições, como a National Portrait Gallery de Londres, a Galleria degli Uffizi de Florença e o Metropolitan, de Nova York. 

Apesar de não ter sido pensada com esse propósito, a mostra ocorre nos 130 anos da abolição da escravidão no Brasil. Uma data tardia que precisa ser politizada, e que até agora – desculpe o trocadilho equivocado – passou em branco. 

A exposição não segue um ordenamento cronológico ou geográfico, sendo dividida em oito núcleos temáticos que abrangem diferentes tempos, territórios e suportes, nas duas instituições que coorganizam o projeto. 

No MASP: há 4 núcleos no 1º andar – MAPAS E MARGENS – COTIDIANOS – RITOS E RITMOS e RETRATOS; no 1º sub-solo: o núcleo MODERNISMOS AFRO-ATLÂNTICOS;  e no 2º subsolo: o núcleo ROTAS E TRANSES: ÁFRICAS, JAMAICA E BAHIA. No Instituto Tomie Ohtake estão os últimos 2 núcleos:  EMANCIPAÇÕES e RESISTÊNCIAS E ATIVISMOS.

Os núcleos discutem a questão negra com uma mistura de obras históricas e contemporâneas. No núcleo Emancipações do Tomei Ohtake, as imagens clássicas do francês Debret e do alemão Rugendas são confrontadas com os equipamentos de tortura, prova de que os povos africanos nunca aceitaram a escravidão pacificamente. É bom lembrar que desde o início da escravidão no Brasil, se tem registro de quilombos.

No núcleo Retratos lá no MASP, em oposição ao que é visto em museus ocidentais e europeus, o negro é colocado como protagonista. A dificuldade é a falta de registros históricos não só de artistas negros como de retratações dignificantes de pessoas negras. 

Para o setor, foram comissionados então dois trabalhos de Dalton Paula, que imaginou figuras históricas e quase sem registros, como a líder quilombola Zeferina da 1ª metade do século 19 e o alfaiate João de Deus Nascimento, um dos líderes da Conjuração Baiana nos fins do século 18. “A proposta é representar personagens esquecidos”, esclarece Tomás Toledo. 

Histórias afro-atlânticas apresenta uma seleção de 450 trabalhos de 214 artistas, do século 16 ao 21, em torno dos “fluxos e refluxos” entre a África, as Américas, o Caribe, e também a Europa. 

O Brasil é um território central nas histórias afro-atlânticas, pois recebeu aproximadamente 46% dos cerca de 12 milhões de africanos e africanas que desembarcaram compulsoriamente neste lado do Atlântico, ao longo de mais de 300 anos. 

Também foi o último país a abolir a escravidão mercantil com a Lei Áurea de 1888, que perversamente não previu um projeto de integração social, perpetuando até hoje desigualdades econômicas, políticas e raciais. 

Por outro lado, o protagonismo brasileiro nessas histórias fez com que aqui se desenvolvesse uma rica e profunda presença das culturas africanas.

Histórias afro-atlânticas parte do desejo e da necessidade de traçar paralelos, fricções e diálogos entre as culturas visuais dos territórios afro-atlânticos—suas vivências, criações, cultos e filosofias. 

O Atlântico Negro, na expressão de Paul Gilroy, é uma geografia sem fronteiras precisas, um campo fluído, em que experiências africanas invadem e ocupam outras nações, territórios e culturas.  

É importante levar em conta a noção plural e polifônica de “histórias”; esse termo que em português abrange tanto a ficção como a não ficção, as narrativas pessoais, políticas, econômicas, culturais e mitológicas. Assim, nossas histórias possuem uma qualidade processual, aberta e especulativa, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas tradicionais. 

Neste sentido, a exposição não se propõe a esgotar um assunto tão extenso e complexo, mas antes a incitar novos debates e questionamentos, para que as histórias afro-atlânticas sejam reconsideradas, revistas e reescritas.

No MASP, a mostra contextualiza-se dentro de um ano de exposições, palestras, cursos, oficinas, publicações e programações de filmes em torno das histórias afro-atlânticas. 

O programa iniciou-se com as individuais de Maria Auxiliadora, Aleijadinho (de março a junho) e Emanoel Araujo (de abril a julho) e se completa com as de Melvin Edwards e Rubem Valentim (de agosto a novembro), Sonia Gomes (de Novembro de 2018 a fevereiro de 2019), Pedro Figari (de Novembro de 2018 a fevereiro de 2019) e Lucia Laguna (de Dezembro de 2018 a março de 2019). 

Parte fundamental desse projeto é a Antologia já citada e que reúne em livro textos de 44 autores, resultado de dois seminários internacionais realizados em 2016 e 2017. Desse modo, o museu se transforma, ele mesmo, em uma plataforma múltipla e diversa, plural e polifônica.

Caso você se interesse mais pelo assunto indico a obra do membro e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, poeta ganhador do Prêmio Jabuti com a obra Ao lado de Vera em 1997, ensaísta, memorialista, historiador, atual orador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e agraciado com o Prêmio Camões de 2014, o diplomata Alberto Vasconcellos da Costa e Silva, considerado hoje em dia como o maior especialista brasileiro em África, autor de várias obras fundamentais para a compreensão da história do tráfico negreiro para a América, entre elas: 

  • A enxada e a lança: a África antes dos portugueses de 1992; 
  • A manilha e o Libambo: a África e a escravidão, de 1500 a 1700, publicado em 2002; 
  • Um rio chamado Atlântico de 2003; e 
  • Francisco Félix de Souza, mercador de escravos de 2004. 

O Ex-Libris, spin-off do Impressões Digitais, um podcast rápido e ligeiro sobre Cultura, acabou. 

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S01e05 – Cultura

s01e03 African

Obras de três continentes narram o tráfico de escravos africanos

130 anos e ainda temos muito o que corrigir em nossa história cercana. Não somos, em nossa maioria, natos deste pedaço de terra americana, somos em parte invasores, brancos, escravos, negros, mulatos.

Ex-Libris (spin-off do Podcast Impressões Digitais), um podcast rápido e ligeiro sobre Política, Comportamento Humano, Ciência, Tecnologia e Cultura. A cada episódio um destes temas.

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Transcrição Ex Libris – S01e04

[Tecnologia] – Como conectar teclado e mouse sem fio da Apple ao Windows 10

O mundo da tecnologia tem suas idiossincrasias, e quando estas complicam a vida do usuário não tem jeito, os geeks precisam enfiar a mão na massa.

Olá, eu sou Sérgio Vieira e este é o 4º episódio da primeira temporada do Ex-Libris, um podcast rápido e ligeiro sobre Política, Comportamento Humano, Ciência, Tecnologia e Cultura. A cada episódio um tema. Seja bem vindo e espero que tenha gostado do estilo e formato do Ex-Libris, um spin-off do Impressões Digitais que volta em breve. Aguardo comentários e emails, basta dar um pulo lá no site idigitais.com que tá tudo lá.

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A partir de agora o Ex-Libris sobre Tecnologia de 28 de setembro de 2018 começou

Eu sei você estava esperando que logo na estreia eu fosse fundo no estado da arte da tecnologia atual. 

Pois é… não é bem assim…

Considerando-se que pode-se tratar como tecnologia até a linguagem humana… Atenção, eu disse a Linguagem e não a Língua, isso é outro assunto do qual eu conheço muito pouco e, cá entre nós, mesmo me permitindo a nóis, ‘tá, né… torço meu nariz para coisas já socialmente  aceitáveis como “é pra mim fazer?”, “mãs”, “tóchico”, e o famoso “eu vou cazamiga”… 

Língua, mesmo que viva e evolutiva, tem sua base numa linguagem, ambas buscam comunicação, enquanto a língua incorpora significados a linguagem implementa e qualifica termos com significância de modo a transmitir estes mesmos termos e evitar distorções imediatas.

Mas peraí! Filosofando sobre Linguística é demais e não é o tema deste podcast. 

Vou tratar hoje de algo relativamente trivial que, assim de cara, não tem interesse algum para muita gente, mas o tema é tecnologia, podcast é desde sempre para nichos… e mais de uma vez fui questionado sobre a questão de fundo. 

Então… enquanto muita gente prefere um teclado mecânico, sólido, pesado, grande, outros optam por uma aparência simplificada, compacta e leve. Espaço parece (ou deveria) ser algo muito precioso em escritórios e, claro, seu quarto. E, no mundo da tecnologia de consumo, quando se fala em design leve, compacto, claro e despojado o sinônimo são os produtos da Apple. 

No entanto, isso representa um problema para os usuários que ficam sem o seu Mac e precisam quebrar o galho com o PC da família, que preferem trabalhar com o Windows 10, ou ainda podem apenas estar trabalhando em uma empresa que só usa o Windows. A boa notícia é que sim! Mesmo se estiver usando o Windows 10, você ainda poderá tirar proveito dos periféricos da Apple para uso com sua máquina Windows. 

Um dos acessórios mais populares da Apple, o teclado sem fio, é na verdade bastante simples de configurar para o Windows 10.

Para começar, você deve certificar-se de que o teclado sem fio esteja carregado (Murphy sempre dá as caras). Se você tiver o teclado Apple Wireless Keyboard mais antigo, verifique se há pilhas novas nele. Se você tiver o novo Apple Magic Keyboard, verifique se ele foi carregado suficientemente. 

Uma observação: Ambos os teclados sem fio da Apple são configuráveis ​​para funcionar com o Windows 10, mas exigem etapas ligeiramente diferentes no final deste pequeno e expedito tutorial para o keyboard da Apple.

Você precisará ativar o Bluetooth na sua máquina com o Windows 10. Clique no botão Iniciar (o ícone do Windows no canto inferior esquerdo da área de trabalho) e clique em “Configurações”.

A partir daqui, você deve estar olhando para o painel de configurações padrão, onde você pode acessar as configurações de rede, informações da conta, configurações de segurança e privacidade e muito mais. Clique na opção “Dispositivos”. Embaixo do ícone está escrito “Bluetooth, impressoras, mouse”. Não tem como errar.

Quando estiver no painel “Dispositivos”, você pode clicar na opção “Bluetooth” no lado esquerdo da tela. No meio da tela, então, uma mensagem aparecerá: “Gerenciar dispositivos Bluetooth”. Abaixo desse texto, verifique se o controle deslizante de “Bluetooth” está ligado na posição “Ativado” e se está azul. Ok? Conferiu? Tudo certo? Vamos em frente.

Você verá agora uma janela pop-up que oferece uma senha. E ATENÇÃO! Agora é que a configuração dos dois tipos de teclados sem fio da Apple se diferem. 

Se você tiver o teclado sem fio mais antigo (aquele com pilhas, sem entrada para cabo), basta digitar o código na tela e pressionar a tecla Enter / Return do teclado da Apple. No entanto, se você tiver um novo Apple Magic Keyboard, há um comportamento meio confuso. O Windows 10 parece ler esse Teclado como sendo um computador, completo, com tela e tudo, e apresenta um código na janela e o texto “Comparar as senhas”, supondo que você deseja comparar o texto exibido na tela do TECLADO da Apple. Como o Magic Keyboard obviamente não tem tela, basta clicar em “Yes” (Sim). Nesse ponto, você deve estar conectado.

Para testar o teclado, basta tente digitar algo. Se quiser ter certeza, acesse o painel de configurações do Bluetooth – como já expliquei – e, em “Magic Keyboard” ou “Apple Wireless Keyboard”, ele deve informar “Conectado”. Para desconectar o teclado, lembre-se de selecionar o nome do seu teclado e clicar no botão “Remover dispositivo” que lá aparece. Quando perguntar se você tem certeza de que deseja desconectar o dispositivo, clique em “Sim”.

Viu que moleza?

E agora, vamos fazer o mouse da Apple rodar corretamente no Windows 10. É um pouco mais complicado, mas funciona direitinho.

O procedimento a seguir é inteiramente gratuito e usa um drive da própria Apple. Sim, há programas pagos que habilitam o Magic Mouse no Windows 10, mas não vou tratar destes aqui não, não vale a pena. O modelo utilizado foi o Magic Mouse de primeira geração, mas segundo relatos que eu peguei na web o de segunda geração funciona da mesma forma. Então vamos lá.

Primeiramente para conectar o Magic Mouse ao Bluetooth verifique se o as pilhas do mouse estão carregadas e ele esteja ligado. Olha o Murphy aí de novo. 

Clique no menu Iniciar do Windows e em seguida clique em “Configurações”. Próximo passo Clique na opção “Bluetooth e outros dispositivos”. Atenção, na parte superior desta janela clique em “Adicionar Bluetooth ou outro dispositivo”. Agora clique em “Bluetooth” e escolha na lista que se abrirá a opção “Magic Mouse”. Pode aparecer apenas a palavra “Mouse” como opção da lista, depende da atualização do Windows 10.

Agora chegou a hora da instalação do drive. Sem ele, o seu Magic Mouse pode ser utilizado apenas como um mouse bluetooth genérico, sem gestos ou scroll, que é a rolagem de páginas. 

Infelizmente em áudio esta parte do tutorial ficará prejudicada, e você terá que acessar a Transcrição deste 4º episódio do Ex Libris no site idigitais.com  e localizar o endereço do drive, links necessários e as instruções complementares.

Então faça o download do drive diretamente do site da Apple, presente no pacote BootCamp, e siga as instruções na descrição do episódio para descompactar, instalar e executar o drive original AppleWirelessMouse64.exe

ATENÇÃO: não pegue este arquivo em outro lugar que não seja no endereço da Apple que consta nas instruções.

E é simples assim, um download, descompactação, localização de arquivo executável e instalação no Windows 10. Pronto! Seu Magic Mouse já está com o scroll e gestos funcionando. 

Mas, caso você deseje ficar com o mouse como se fosse no Mac mesmo, falta algo importante: o reverse scroll, conhecido no mundo Mac como “rolagem natural”. Para configurar a rolagem natural, dá para instalar um aplicativo simples, conhecido e gratuito: o Wizmouse, da Antibody. Baixe o software como indicado – de novo – nas Instruções da Transcrição deste episódio lá do Ex Libris  no site idigitais.com.

Ao rodar o setup do Wizmouse, habilite a última opção da tela de instalação deste aplicativo, marcando a opção “Reverse Mouse Scrolling“. Clique em OK, para finalizar.

Pronto! Agora sim… você já pode usar o Magic Mouse no Windows como está acostumado a usar no Mac.

Eu só fiz este tutorialzinho porque essa do Windows 10 entender o Magic Keyboard como sendo um notebook já apareceu na minha vida um par de vezes e tive que quebrar a cabeça para entender que isso é apenas mais uma das incongruências dos mundos Windows e Apple. 

Agora a forma de habilitar o Magic Mouse foi há pouco tempo e me deu um razoável trabalho de busca e avaliação de alguns métodos. Este me pareceu o mais simples.

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Saúde, paz, grato pela companhia e até a próxima

Ex-Libris, inteligência com propriedade.

S01e04 – Tecnologia

s01e04 Keyboard&Mouse Apple

Como conectar teclado e mouse sem fio da Apple ao Windows 10

O mundo da tecnologia tem suas idiossincrasias, e quando estas complicam a vida do usuário não tem jeito, os geeks precisam enfiar a mão na massa.

Ex-Libris (spin-off do Podcast Impressões Digitais), um podcast rápido e ligeiro sobre Política, Comportamento Humano, Ciência, Tecnologia e Cultura. A cada episódio um destes temas.

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Transcrição Ex Libris – S01e03

[Ciência] – Só existe uma raça, a Humana.

Tem cientista que adora as luzes da ribalta, nem que para isso associe genética e raça dando, assim, oportunidade no palco para um bando de malucos festejar e associar a ciência ao racismo da forma mais torta possível.

Olá, eu sou Sérgio Vieira e este é o episódio nº 3 da primeira temporada do Ex-Libris, um podcast rápido e ligeiro sobre Política, Comportamento Humano, Ciência, Tecnologia e Cultura. A cada episódio um tema.

Seja bem vindo e espero que tenha gostado do estilo e formato do Ex-Libris, um spin-off do Impressões Digitais que volta em breve. Aguardo comentários e emails, basta dar um pulo lá no site endereço idigitais.com que tá tudo lá.

O Ex-Libris está disponível nos seguintes serviços: iTunes, Google Podcasts, Spotify, Anchor, Overcast, Radio Public, Breaker, Stitcher e Castbox. Se você utilizar outro serviço, basta copiar o rss disponível e colar em seu agregador de podcasts. Os respectivos links estão publicados na 1ª pagina do idigitais.com

A partir de agora o Ex-Libris sobre Ciência de 25 de set de 2018 começou

Quando geneticistas falam sem o devido cuidado sobre o conceito de raça, arma-se uma confusão dos diabos. 

E isso foi o que conseguiu o geneticista David Reich com seu artigo publicado no New York Times de 23 Março intitulado – Como a genética está mudando nossa compreensão da “raça” – no qual ele afirma – já polemicamente – que a chamada ”ortodoxia” da genética faz com que os cientistas evitem investigar, e até mesmo discutir o que para ele é muito claro: que as variações entre as populações humanas existem! 

“Não é mais possível ignorar diferenças genéticas entre ‘raças’”, escreveu ele. Ressalvo que em todas as vezes em que ele utilizou o termo raça ele utilizou aspas. Fato este que não alterou em nada a reação dos leitores.

O artigo publicado caiu como uma bomba…  todo mundo entrou na gritaria tanto nos círculos acadêmicos como nas ruas, claro. Tanto que uma semana depois de publicado o geneticista teve que publicar um outro artigo em 30 de Março – Como falar sobre “raça” e genética – respondendo aos leitores… o que não adiantou muito, mesmo colocando raça entre aspas novamente.

Nestes tempos em que grupos de supremacia branca estão ganhando força e fazendo abertamente manifestações nos Estados Unidos – e em outros países que é melhor nem nomear aqui -, não é surpreendente que um artigo como o de Reich reacenda paixões. 

O escritor de ciência Nicholas Wade, cujos artigos sobre raça foram severamente criticados por geneticistas, respondeu rapidamente: “Finalmente! Um geneticista de Harvard, David Reich, admite que existem diferenças genéticas entre raças humanas, embora ele coloque a palavra raça entre aspas. ”

Wade e Charles Murray, co-autor do livro mais do que controverso The Curve of Bell, são defensores declarados da existência de raças humanas e também da inferioridade do negro. Murray também celebrou a escrita de Reich, embora, ironicamente, quando seu livro foi publicado, entre os geneticistas que o condenaram como um instigador do racismo estava o próprio Reich.

Alan Templeton, um geneticista e estatístico da Universidade de Washington em St. Louis, escreveu um artigo com profundidade e base onde analisa vários grupos humanos e nos dá uma idéia precisa do significado de raça em termos biológicos, sempre apoiado nas variantes genéticas que definem as espécies e não em características como a cor da pele, por exemplo, que são adaptações e que variam nas populações como resultado de mudanças no ambiente.

As raças podem existir em humanos em um sentido cultural, mas os conceitos biológicos de raça devem ser estritos ao demonstrar se essas construções correspondem a categorias biológicas reais de seres humanos. Os conceitos modernos de biologia podem testar a existência ou não de raças humanas usando as ferramentas da genética e aplicando rigorosamente o método científico através da formulação e teste de hipóteses.Com o uso de novas tecnologias no estudo do DNA, pode-se inferir a ancestralidade geográfica dos indivíduos, estudando um grande número de genes e as expressões deles, os alelos. 

Em uma análise inicial, usando uma variedade de marcadores em auto-declarados “brancos” nos Estados Unidos, se encontrou principalmente um ancestral europeu; enquanto que os auto-declarados “negros” são basicamente de origem africana, com pouca sobreposição entre os auto-declarados “negro” e “branco”. Seguindo a mesma linha, mas desta vez com uma amostra local de pessoas que se identificaram como e “brancos”, “mulatos”  e “negros”, antropólogos brasileiros encontraram uma extensa sobreposição de ascendência africana entre todas as “raças”. Além disso, os  auto-declarados “brancos” brasileiros tinham uma ascendência africana maior do que alguns dos auto-declarados “negros” dos Estados Unidos. É claro, então, que as categorias raciais de “brancos” e “negros”, definidas culturalmente, não têm o mesmo significado genético no Brasil e nos Estados Unidos. As inconsistências no significado de “raça” através de culturas e ancestrais genéticos fornecem uma forte razão para uma definição de raça livre da biologia e baseada apenas na cultura.

Logo após a conclusão do projeto do genoma humano, o seu diretor Francis Collins, juntamente com a sua equipe, lançou uma espécie de desafio para que os pesquisadores se dedicassem – com todas as informações de nossa estrutura genética à mão – na resolução de todos os problemas ainda não resolvidos da biologia, da saúde e da sociedade. De especial interesse foram os problemas relacionados às disparidades de saúde entre brancos e negros. 

Os Estados Unidos têm investido mais de um bilhão de dólares ao ano em estudos genéticos para encontrar a raiz biológica dessas diferenças. “O que encontramos na literatura publicada entre 2007 e 2013 é essencialmente nada”, diz Jay Kaufman, autor principal do primeiro estudo que examinou os dados genéticos disponíveis que buscavam evidências para explicar a disparidade entre raça e saúde.

Durante anos, pensou-se que as disparidades residiam em um componente biológico fora de alcance, mas quando os avanços da genética permitiram demonstrar que tal componente não existia, o argumento tornou-se tolo e equivocado. Ao analisar por que os negros morrem antes que os brancos, Kaufman diz que, em vez de olhar para a dupla hélice, é necessário questionar o porque da enorme desigualdade social e econômica. Nos Estados Unidos os homens brancos vivem quatro anos a mais que os negros e as mulheres brancas três anos a mais que as negras. 

A principal razão para essa lacuna é a doença cardíaca. Mas depois de analisar por seis anos estudos genéticos sobre o assunto e examinar o genoma em busca de possíveis variantes que propiciassem a doença, eles encontraram exatamente o oposto: foram os brancos que mostraram o maior risco. “Gastamos uma quantia enorme de dinheiro nesses estudos que não levaram a nada”, diz Kaufman. Mas então, por que ainda há tanto esforço?

Um motivo – que tem mais a ver com finanças que com a biologia – pode ser encontrado no primeiro medicamento específico para negros, o BiDil uma combinação de dois medicamentos genéricos usados ​​em doenças cardíacas durante décadas. Em 2005, o FDA aprovou as drogas antigas com um novo propósito: o tratamento de problemas cardíacos para uma única raça, os afro-americanos (de acordo com a classificação norte-americana). 

Jonathan Kanh, autor de Race in a Bottle escreve extensivamente sobre a história do BiDil. Não há dúvida de que o medicamento atua em negros, embora o problema grave seja que os processos de aprovação do medicamento não tiveram grupos de controle. Os pesquisadores estudaram o BiDil apenas em negros. 

Parênteses  – Quem conhece o mínimo do conceito “método científico” deve estar se esganando junto com Carl Sagan… – Fechando os parênteses e voltando à pauta, repito:

Os pesquisadores estudaram a medicação BiDil apenas em negros. E se funciona neles não é porque são negros… mas porque –  a gente sabe – eles são humanos. 

Quem tá ganhando ainda com essa relação raça / saúde é a NitroMed, a empresa por trás do BiDil que conseguiu que a patente que iria expirar em 2007 fosse estendida até 2020.

E assim é com outras doenças, como diabetes atribuída aos mexicanos, que não tem outra explicação além dos problemas da dieta pobre e, novamente, a enorme desigualdade social. Além da escassa evidência científica- que sustenta as disparidades entre a saúde e as “raças” – o problema sério está na disponibilidade de medicamentos, porque a precariedade do sistema de saúde os torna inatingíveis.

Há uma grande manipulação da ciência e de seus resultados,  os quais são interpretados conforme interesses nem tanto obscuros. Permitir este tipo de malversação de conhecimento é uma enorme responsabilidade para uma sociedade que deveria garantir a saúde de seus cidadãos, e não distorcer as evidências que indicam que as disparidades raciais em saúde não têm base na biologia. Para transformar tais evidências em um instrumento de dominação racial basta apenas propagar uma ideia: eles têm saúde ruim porque são negros ou hispânicos.

Talvez seja hora de lembrar um pouco sobre a nossa história evolutiva. A origem do homem foi estabelecida na África de onde, e através de muitos movimentos migratórios se espalhou pelo planeta. Por milhões de anos, nossos ancestrais hominídeos evoluíram para o que somos hoje, o Homo sapiens. No processo, muitas trocas genéticas ocorreram entre os diferentes hominídeos que já haviam se estabelecido em diferentes regiões e haviam se formado em diversos grupos humanos. Em um ponto, cerca de 30.000 anos atrás, os neandertais desapareceram, nos tornamos o último hominídeo da Terra, o único remanescente.

E de volta para a discussão inicial da existência de raças com uma base biológica, não cultural, talvez a melhor maneira de ilustrar a enorme mistura que ocorreu em nosso genoma, seria fazer uma análise científica e profunda do fluxo dos genes ao longo do tempo, e advinha? Foi feito! 

O fluxo possui diferentes direções geográficas e consequentes misturas. A linha correspondente a África se expandiu em muitas direções, dando e recebendo informações genéticas de todos os outros grupos humanos: europeus, asiáticos, habitantes do Pacífico e das Américas. 

A conclusão mais importante do grande quadro genético que foi pintado pelos cientistas ao longo dos últimos  anos é que a humanidade atual corresponde a uma linhagem evolutiva cheia de miscigenação. Taí nossos – ainda presentes – genes Neandertais e a descoberta nos ossos de uma mulher de 90 mil anos, do DNA que indica ela ser uma ‘híbrida’ de duas linhagens Homo distintas: metade neandertal e metade denisovano.

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S01e03 – Ciência

Só existe uma raça, a Humana

Tem cientista que adora as luzes da ribalta, nem que para isso associe genética e raça dando, assim, oportunidade no palco para um bando de malucos festejar e associar a ciência ao racismo da forma mais torta possível.

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Transcrição Ex Libris – S01e02

[Comportamento Humano] – O “cerumano” e seu meio carbonífero

Quando ações de um governo que não está nem aí para a questão ambiental panfleta uma vida melhor para seus cidadão e conquista corações e mentes. 

Olá, eu sou Sérgio Vieira e este é o episódio nº 2 da primeira temporada do Ex-Libris, um podcast rápido e ligeiro sobre Política, Comportamento Humano, Ciência, Tecnologia e Cultura. A cada episódio um tema.

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A partir de agora o Ex-Libris sobre Comportamento Humano de 21 de set de 2018 começou

E não é que o Trump reverteu as regras de poluição que Obama apresentou?

Para especialistas esta reversão do que havia sido proposto (mas ainda não implementado) atingirá de forma bastante negativa a saúde da população norte-americana.

Não sei porque mas, não me surpreendi quando soube que o presidente Donald Trump escolheu o estado de West Virgínia, ou melhor Virgínia Ocidental – região carbonífera dos EUA – para anunciar dia 21 de agosto agora o seu plano de controle de poluição para as termelétricas movidas a carvão. Plano esse que reduz as exigências contidas num plano apresentado em 2015 pela administração Obama, e que até hoje tá enrolado em questões jurídicas.

O Plano de Energia Limpa de Obama visava o dióxido de carbono, que altera o clima, mas como o carvão é a maior fonte de dióxido de carbono dos combustíveis fósseis, o plano do Obama também restringe as emissões nocivas das usinas termelétricas a carvão.

Como um bom político, no seu discurso na Virgínia Ocidental Trump teceu loas e boas ao SEU projeto e deixou uma coisinha de fora de suas declarações: o provável aumento de mortes e doenças devido ao retrocesso contido nesta regulamentação.

Os controles para mitigar as emissões, para a despoluição do ar, desde a década de 1980 praticamente extinguiram as nuvens de fuligem negra que costumavam subir das chaminés das termelétricas da Virgínia Ocidental e na Pensilvânia. Os regulamentos reduziram substancialmente as taxas de mortalidade nos arredores das minas e das termelétricas. 

Atualmente, os poluentes se elevam das chaminés como gases, carregados de finas partículas – ainda invisíveis – pequenas o bastante para passar pelos pulmões e chegar à corrente sanguínea. E aí que a coisa pega.

Um estudo da Agência de Proteção Ambiental norte-americana (EPA) diz que esses poluentes gasosos e particulados aumentariam com o plano de Trump, se comparado com o plano do Obama. E isso, diz a EPA, levaria a mais ataques cardíacos, asma e outras doenças.

Nacionalmente, a EPA diz que a nº de mortes causadas  por esta doenças serão acrescidas de 350 a 1.500 mortes a cada ano sob o plano de Trump. Mas é o norte de Virgínia Ocidental e parte da vizinha Pensilvânia as aéreas que serão mais atingidas.

Um minerador de carvão que exerce sua profissão há 35 anos não se intimida quando ouve este tipo de alerta –  logo após o comício do Trump o mineiro afirmou que:

A última coisa que as pessoas da região querem é que o governo imponha mais controles ao carvão – e o ar aqui nas montanhas da Virgínia Ocidental parece muito bom… Pessoas vieram aqui e nos disseram o que precisávamos. Nós sabemos o que precisamos. Precisamos de um emprego

Complementou o habitante da pequena cidade da região carbonífera que fica  entre duas minas de carvão e a 12 km de uma usina termelétrica movida a carvão.

Eu jurava que só por aqui na terrinha a gente tinha eleitor deste tipo.

Ainda pela EPA a proposta de Trump mataria de 1 a 2 pessoas a mais por ano para cada 100 mil nas áreas mais atingidas, sempre em comparação com o plano anterior do Obama que anda encalhado na Justiça. Para 1 milhão e oitocentas mil pessoas da Virgínia Ocidental isso daria pelo menos doze mortes a mais por ano.

O administrador da EPA, Andrew Wheeler, um ex-lobista do carvão… 

Eu sabia! A turma do Trump fez estágio aqui no Brasil, só pode…

Voltando… desculpe eu me empolguei, então… Andrew Wheeler, ex-lobista do mercado de carvão – insisto em repetir o cargo anterior –  cujo avô trabalhou nas minas da Virgínia Ocidental, foi para mesma região promover o plano do Trump. Lá ele afirmou que “o recuo do governo federal em regular a poluição causada por usinas elétricas a carvão foi uma boa ideia”.

Em Washington, o porta-voz da EPA, Michael Abboud, disse que este novo plano resultará em “reduções  dramáticas” de emissões, mortes e doenças comparando com a situação atual. 

Como bom porta-voz político, ele nem cogita em comparar o impacto com o plano proposto por Obama. 

A cerca de 160 quilômetros ao sul de Grant Town, perto de Charleston a capital da Virgínia Ocidental, uma lojista diz sorridente: 

Se Trump acha que seu plano é melhor, isso é bom o suficiente para mim. Eu apenas sei disso. Eu gosto de Donald Trump e acho que ele está fazendo a coisa certa.

A lojista demonstrou todo seu apoio a Trump no comício do dia 21 de agosto. Ela mora a oito quilômetros da usina termelétrica a carvão John Amos de quase 3 Gigawatts de potência.

O plano de Trump, dentre outros aspectos, cede aos Estados grande parte da supervisão – hoje federal – das usinas a carvão existentes. Estes mesmos Estados,  individualmente, irão decidir o que e quanto regular nas suas termelétricas. 

O plano está aberto para revisão pública, antes de qualquer decisão final da Casa Branca.

O porta-voz da EPA, Michael Abboud, e a porta-voz Ashley Bourke, da Associação Nacional de Mineração, que também apóia – ora veja – a reversão regulatória proposta por Trump, disseram que outros programas federais já regulam as emissões nocivas das usinas a carvão. Bourke também argumentou que os estudos de saúde que a EPA usou em suas projeções datam da década de 1970, quando as usinas eram muito mais “sujas”.

Em resposta, Conrad Schneider, da organização ambiental sem fins lucrativos Clean Air Task Force – que analisa as projeções da EPA para este caso – , disse que as estimativas de mortes do estudo da Agência levaram em conta a regulamentação existente sobre as emissões das usinas. 

Além disso, estudos de saúde usados ​​analisaram níveis específicos de exposição a poluentes e seu impacto na saúde humana, por isso permanecem constantes ao longo do tempo. Ou seja, se alguém morria exposto a certo nível de um poluente em 1970, nos dias de hoje você nas mesmas condições morreria.

No comício de 21 de agosto na Virginia Ocidental, Trump ainda soltou essa:

Estou me livrando de algumas dessas regras e regulamentos ridículos, que estão matando nossas empresas … e nossos empregos.

Certinho Trump… certinho.

 

O Ex-Libris, spin-off do Impressões Digitais, o podcast rápido e ligeiro sobre Comportamento Humano, acabou.

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Saúde, paz, grato pela companhia e até a próxima

Ex-Libris, inteligência com propriedade…

S01e02 – Comportamento Humano

s01e02 Trump Digs Coal

O “cerumano” e seu meio carbonífero

Quando ações de um governo que não está nem aí para a questão ambiental panfleta uma vida melhor para seus cidadão e conquista corações e mentes. 

Ex-Libris (spin-off do Podcast Impressões Digitais), um podcast rápido e ligeiro sobre Política, Comportamento Humano, Ciência, Tecnologia e Cultura. A cada episódio um destes temas.

transcrição – clique aqui

Transcrição Ex-Libris – S01e01

Programa de governo? Não! De candidatos.

Olá, eu sou Sérgio Vieira e este é o 1º episódio da 1ª temporada do Ex-Libris, um podcast rápido e ligeiro sobre Política, Comportamento Humano, Ciência, Tecnologia e Cultura. A cada episódio um tema.

Seja bem vindo e espero que goste do estilo e formato do Ex-Libris, aguardo comentários e emails sobre este spin-off do Impressões Digitais que volta já já, agora no endereço idigitais.com – pois é, não existe mais o endereço impressões.vocepod.com…

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A partir de agora o Ex-Libris sobre Política de 18 de set de 2018 começou.

 

Acompanhando discussões em mídias tradicionais e até em podcasts sobre as diferenças e igualdades de programas de governo de candidatos majoritários à presidência da “res publica” brasileirinha… me pego levantando o cenho (pesquisem garotos eu não vou explicar), ou melhor, o próprio tema PROGRAMAS DE GOVERNO me causa espécie…

Primeiramente, jamais ouvi alguém difundindo ou, ao menos, discutindo Programa de Governo de candidatos à governança da unidade federativa, e antes que alguém diga que isso não é importante lembro que só aqui em SP somos 45 milhões de almas acorrentadas ao PSDB desde 1995.

<parênteses>
(até parece o PRI – Partido Revolucionário Institucional do México que ficou quase um século no poder… na realidade, e conferindo aqui, de 1929 a 2000 – hummm… desde já aviso: nunca confie muito nas informações que a gente recebe e vai passando, assim sem mais nem menos… a idade começa a pesar, ela cobra seu tempo e não dá p’ra ficar pesquisando tudo… e a memória já é aquela grande coisa não. O Google também não é dos mais confiáveis. Assim…
< fecho o parênteses>

e de volta ao roteiro…

Complementando este primeiro item: Somos 45 milhões aqui em SP, somos apenas 577 mil habitantes em Roraima. Esta é a defasagem entre – o mais populoso e o menos populoso dos estados brasileiros – coisa de 44,5 milhões de pessoas (por curiosidade a soma das populações de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia – os outros 3 estados mais populosos do país além de São Paulo: dá algo como 53 milhões).

Esta quantificação extratificada demonstra nossas múltiplas realidades – o pior é que os 4 maiores estados da União Federativa são quase 50% do país. Lembrando que a maioria dos estados são áreas de domínio das mesmas catervas familiares há décadas, se não séculos.

Tem um deputado federal de Barbacena, lá em Minas Gerais, que está em seu décimo (isso mesmo) décimo mandato – 40 anos na Câmara… já deve ter placa de patrimônio da União no traseiro. Ele começou sua vida política em 1954… vocês devem ter ouvido falar muito dele, né?! Seu nome é Bonifácio José Tamm de Andrada, 88 anos, descendente de José Bonifácio de Andrada e Silva. A prole já está devidamente enfronhada em assembléias, judiciários.

Em segundo lugar, me arrepia a nuca, quando percebo que o primeiro item aqui abordado está completamente comprometido.
Pois, como explicar que o ex-alcaide oportunista de São Paulo que – há poucos meses – num rompante abandonou o cargo após ser fervorosamente eleito no 1º turno, ‘tá agora posando de salvador do Estado (afinal ele é gestor, ele não é político – como cansa de afirmar).

O gestor em pauta, rasgou seu contrato (literalmente), tripudiou os próprios parceiros de partido e tocou um sonoro “dane-se” para os habitantes da capital de São Paulo. Tal qual outro prócer da turma que alardeia “me elege. me elege… que vou abandonar o cargo assim que der pra abiscoitar mais uma graninha ali”… sim, aquele ex-candidato à presidência, que não resiste a uma bolinha de papel na cabeça, e que sem eira nem beira voltou ao país em (19)79, mas fez sua filha uma empresária milionária antes dela completar 30 anos.

Tenho certeza que este animal… político não compreende o que significa – moralmente – ser eleito para um cargo público de tal magnitude e a obrigação intrínseca imposta pela regra democrática; mesmo que admitamos de forma machista a justificativa feita por ele comparando o abandono do cargo eletivo (um contrato social legal e moral múltiplo) a um casamento que não deu certo (um contrato social e emocional entre apenas 2 partes).

Não podemos esquecer que tal sujeito é useiro e vezeiro de apropriação indébita de dinheiros e de próprio público, e pra completar, caloteiro de impostos contumaz, como a justiça decretou em processos transitados em julgado.

Só um idiota de primeira ordem elege um boçal deste calibre a um cargo executivo (o boçal de calibre maior, nato por natureza, não é pauta deste episódio do Ex-Libris).

Desprezando os dois primeiros pontos, e analisando os atuais programas de governo de candidatos à presidência temos uma situação patética, se não patológica. Nota-se que em quase sua totalidade eles não passam de um blá-blá-blá-blá sem substância, ou como diria o FHC – em seu tupi-guarani fluente – um nhe-nhe-nhém.

Para se extrair algo definitivo destes pífios planos de marketing executados por obrigação legal – apenas dirigidos aos financiadores de campanha e para a conquista de votos (vide plano e discurso de ações de governo da Dilma em 2013) – são necessárias altas doses de inventividade interpretativa. Percebe-se nestes apenas traços de planos de Poder, nunca de plano de Nação. Quando muito uma ideia ou outra aqui e ali.

Como exemplo de como é tratado tal documento – exigido para inscrição como candidato – no Plano de Governo do PSDB para a presidência há apenas 2 – eu disse dois! – parágrafos sobre suas ações relativas às relações exteriores, onde nada é novidade ou merece algo além de um muxoxo. Abre o olho Itamaraty.

Por fim, e de modo sintético… nunca vi um programa de governo (desde 1989) definir um único e sequer voto.

Eles fingem que pagam e a gente finge que joga, né Vampeta?

 

O Ex-Libris, spin-off do Impressões Digitais, o podcast rápido e ligeiro sobre Política, acabou. Se você gostou do Ex-Libris faça como a AMB3 Gestão Ambiental, ajude este podcaster a divulgá-lo e a mantê-lo, lá no site idigitais.com você tem mais detalhes sobre como pode fazer isso. Você poderia ainda ajudar o Ex-Libris dando umas estrelinhas lá no iTunes.

Saúde, paz, grato pela companhia e até a próxima.

Ex-Libris, inteligência com propriedade.

S01e01 – Política

s01e01 gov program

Programas de governo? Não! De candidatos.

O que são? Qual a serventia? Quem os faz? Quem os lê? Quem os seguem? Uma opinião célere que objetiva provocar sua análise.

Ex-Libris (spin-off do Podcast Impressões Digitais), um podcast rápido e ligeiro sobre Política, Comportamento Humano, Ciência, Tecnologia e Cultura. A cada episódio um destes temas.

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